segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Trocando o dia pela noite...

Sempre fui bastante notífago. Exceto quando criança, mas, além de não haver nada interessante para uma criança ficar fazendo pela madrugada meus pais tratavam de me mandar para a cama bem cedo. Mas logo na adolescência eu passei a ter esse tipo de aversão ao dia e verdadeira paixão pela noite. Mais tarde, quando pude conhecer as mulheres, o uísque, o rock e outras tantas maravilhas da noite me entreguei de vez. Contudo, para sobreviver, tive que me render ao tédio dessa sociedade que insiste em fechar os olhos para o que o mundo tem de mais belo.

Durante muito tempo tive que me sujeitar ao trabalho comum e tedioso, com hora marcada pra chegar e sair, livro de ponto e outras tantas babaquices burrocráticas. Ah!... Mas eis que a tecnologia deslancha, derrubando paradigmas, assombrando a geração dos dinossauros pragmáticos e libertando a criatividade desse cativeiro fétido. Graças a tudo isso, eis-me aqui, às 04:15 da manhã, finalizando mais um turno de trabalho iniciado às 22:00 de ontem. Nada de telefones tocando, nada de interrupções idiotas e ainda com direito a bebericar de leve o meu uísque.

Entretanto, não foi fácil conseguir convencer aos que fornecem meu precioso vil metal de que esta era uma forma "séria" de trabalhar. Afinal, quem é que vai  querer pagar um fulano que mal da as caras na empresa, permitindo que ele fique em casa, sem ninguém para vigiá-lo coordena-lo? Tive que propor uma negociação: em vez de cumprir horários, eu trabalharia com resultados. Estabeleceria-se um projeto, uma meta, um prazo e na data estabelecida lá deveria estar o combinado. Dessa forma, tanto faz se eu vou começar a trabalhar às sete, às dez ou a meia-noite, o que interessa é o RESULTADO, ou como diriam no BOPE "Missão dada é missão cumprida".

Enfim, também há aqueles que não se adaptam a este tipo de expediente, o que não faz deles menos ou mais espertos ou importantes. Aliás, a única coisa que importa é que você se sinta bem com o que faz. Como disse no início do texto, eu gosto da noite, do silêncio, do frescor... É nesse ambiente que minha criatividade aflora e eu consigo me concentrar. Já nos finais de semana eu gosto da agitação, da música, do mistério, do cheiro da noite.

Bem, por hoje é só, afinal, daqui a pouco o sol começa a raiar e terei de fechar as cortinas para poder dormir.

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