
Gostei muito da minissérie "Capitu", exibida pela Rede Globo na última semana. A primeira vez em que li "Dom Casmurro" eu ainda era adolescente (mas não foi para fazer trabalho de colégio) e fiquei estarrecido com a história. Amaldiçoei Capitu veementemente pelo que ela tinha feito com o "pobre" Bentinho. Voltei a ler "Dom Casmurro" várias outras vezes depois disso e, claro, revi meu conceito acerca de nossa "cigana oblíqua e dissimulada" como definira José Dias.
Capitu sempre esteve longe de ser uma santa e este é exatamente o que a faz tão maravilhosamente desejada e encantadora. Seu gênio forte e decidido, sua personalidade altiva e irrequieta, sua beleza e sensualidade (tão bem ilustradas na série por Letícia Persiles e Maria Fenanda Cândido) e seu despreendimento são os ingredientes que dela faz a mulher mais apaixonante de nossa literatura.
Sobre Bentinho posso dizer que foi "sortudo e azarado" ao mesmo tempo. Não é difícil entender porque. Foi o único que conseguiu obter o amor sincero de Capitu, sua cumplicidade, seu afeto e devoção. Talvez não tenha sido o único a ter desfrutado de seu corpo... E o azar de Bentinho foi justamente o de ter suscitado por toda a vida a dúvida, o malogro, a devassidão de um sentimento tão expansivamente negativo. Que a terra lhe seja leve...
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