"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."
Quantas vezes desejei ser um só, sair de casa pela manhã para ir trabalhar, buscar o sustento de minha mulher e dois filhos (que ainda não tenho), chegar em casa para o almoço, assistir ao jornal, voltar ao trabalho, passar no supermercado antes de voltar para casa, encontrar a família me esperando para jantar, assistir novamente ao jornal, por os filhos na cama e depois ir dormir com a mulher amada. Tantas vezes vislumbrei essa vida como sendo a mais perfeita e feliz. Como sofri ao perceber que as coisas não seriam bem como desenhei. Pensei em sofrer por toda a vida, como os meus personagens literários prediletos...
Um dia me perguntei: Eu quero mesmo sofrer por toda a vida? Achando que tudo e todos são tolos e que eu sou o centro do mundo, o gênio incompreendido, o guru que pode salvar o mundo com suas palavras... Quanta ignorância!
Não deixei de sofrer, mas estou aprendendo a ser paciente. Estou aceitando que sou incompleto, não sou perfeito, muito menos um super-homem e principalmente que nunca serei nada disso. A incompletude é necessária para que vivamos a vida em toda sua intensidade.
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